Vamos fazer diferente em 2015?

Estava eu linda e matreira em uma livraria quando meu olhar cruzou com uma revista dando dicas sobre como se preparar para ter um próximo ano longe dos perrengues financeiros e aprendendo a controlar melhor o dinheiro. Muito felizmente minha conta está firme e forte no azul, mas como queria aprender mais sobre como administrar meu ordenado, comprei.

No início eles publicaram vários conselhos de experts na área sobre como não se afundar em dívidas e tal. Mas um conselho ficou tão forte na minha cabeça que acabou por virar o tema deste post:

“Reflita como 2015 se relaciona com seu plano de vida.”

A frase me chamou a atenção porque, durante toda a minha existência, eu adotei a filosofia “Deixo a vida me levar”. Claro que existiram momentos em que eu tive que escolher meus caminhos, mas nunca levei esse pensamento a longo prazo, nunca parei e pensei: o que eu preciso fazer agora para não me arrepender depois?

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Então, resolvi trazer esse questionamento pra cá.  Já parou para pensar no que você deseja que esse novo ano te proporcione? Claro, não dá pra controlar tudo, mas uma ou outra meta só depende da gente. Quer ver só?

Profissionalmente

– Fazer um curso;

– Atualizar o currículo (é um ótimo exercício, mesmo que você não esteja em busca de emprego);

– Criar/Atualizar seu perfil no LinkedIn;

gato trabalhando

Culturalmente

– Ver mais filmes (#ficadica);

Ler mais;

Aprender ou melhorar seu conhecimento em um novo idioma;

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Pessoalmente (não achei termo melhor)

– Ter mais contato com as pessoas importantes para você;

– Avaliar se existe algo na sua vida que te incomoda muito e procurar remediar a situação;

– Acreditar mais em si mesmo =)

São coisas simples, mas se a gente não parar para pensar na vida, nem lembramos de fazer o check e conferir o status das nossas pequenas grandes metas. E é claro que você pode adaptar sua meta para o que for mais conveniente à sua pessoa.

Que o Novo Ano traga inspiração pra todo o mundo!

gato feliz

 

Longe da Árvore – Pai

E chegamos ao fim de Longe da Árvore, esse livro que tanto amei ler e que muito me ensinou. Não foi uma tarefa fácil condensar em alguns poucos parágrafos todas as histórias, opiniões e pesquisas que são apresentadas nos capítulos. Mas fiz o meu melhor porque, depois de tudo o que li, senti que era quase que uma obrigação compartilhar um pouco de tudo o que é relatado nessa obra que, se eu pudesse, distribuiria na casa de todas as pessoas da terra.

Após essa declaração de amor pelo livro, chegamos ao último capítulo, que é quando Andrew conta a sua própria história de paternidade. Como ele é homossexual, o relato fica mais interessante porque, a partir do desejo de criar um ser humano, surge uma espécie de corrente do bem formada por ele, seu parceiro, um casal e amigas dele e uma colega da universidade, em que todos se unem para conseguir ter um filho para chamar de seu.

A partir dessa colaboração mútua, surgem três famílias que também podem ser uma só, dependendo do ponto de vista. E são famílias unidas, felizes e que veem significado em estar juntas porque se amam. E, ao menos para mim, é isso o que importa (e foi por pura coincidência publicar esse capítulo nesta quinta-feira de Natal).

Andrew Solomon (de branco) com sua família

Andrew Solomon (de branco) com sua família

Durante a leitura entrei em contato com famílias que, de forma mais ou menos intensa, tiveram que replanejar toda a sua vida e redescobrir um novo eu para serem capazes de seguir em frente. E isso só foi possível porque havia amor.  E ao entrar em contato com essas vidas, muitos dos pré-conceitos que tive caíram, também aprendi a (ao menos tentar) ser mais tolerante e a ter empatia como próximo (porque a vida é imprevisível e eu posso ser ele) e também a entender que, lutando pelo direito das minorias, acabamos por tornar nosso país melhor para todos.

Não é uma trajetória fácil, serena e sem percalços. Mas é ela que dá significado à vida.

Espero que tenham gostado dos resumos que fiz e, se tiverem a oportunidade, leiam Longe da Árvore.  Acredite: não há como terminar o livro sendo a mesma pessoa que era quando se começa a lê-lo.

Para quem não conseguiu ver/ler os resumos que fiz, são esses:

  1. Apresentação do livro “Longe da Árvore”
  2. Surdos
  3. Anões
  4. Síndrome de Down
  5. Autismo
  6. Esquizofrenia
  7. Deficiência
  8. Prodígio
  9. Estupro
  10. Crime
  11. Transgênero

Tentarei (mas não dá pra prometer) escrever um último post de despedida para 2015. Mas já deixo adiantado meus votos de feliz Ano Novo =)

Longe da Árvore – Transgênero

“O transexualismo não é um estilo ou uma preferência. Não é tampouco um ato de sexo. É uma convicção apaixonada, para toda a vida, inabalável, e nenhum legítimo transexual pode ser convencido do contrário.”

Pense por um instante como deve ser terrível viver em um corpo e com uma identidade que não é a sua. E pense quão doloroso deve ser tentar fingir ser algo que não se é só porque ser você mesmo está total e completamente fora de questão. Em geral, é esse pelo menos o começo da vida de quem possui Transtorno de Identidade e Gênero (TIG).

E é por isso que eu escolhi começar esse texto com a frase acima, dita por um dos personagens entrevistados por Andrew Solomon: o reconhecimento do gênero (feminino ou masculino) é uma das primeiras grandes certezas da vida e muito, mas muito dificilmente será modificada, pois ela faz parte daquilo que somos no sentido mais profundo do verbo “ser”.

Josie Romero, do documentário Transgender Childhood  (Infância como Trasngênero)

Josie Romero, do documentário Transgender Childhood (Infância como Trasngênero)

Durante o capítulo, Andrew conta inúmeros relatos de pessoas que, desde que se conhecem por gente, sabem que não estão com o corpo que desejam e sofrem (sofrem muito) tanto para conseguir aceitar isso como para encontrar um modo de alcançar a forma ideal.  E esse é um dos muitos problemas que eles irão ter pela frente, que em geral se resume em três frentes.

A primeira delas já começa dentro de casa, por causa da família que ou não entende, ou finge não entender ou que não se importa na cara dura. Aceitar o diferente (ainda mais o diferente encarado por muitos como “negativo”) não é fácil, mas todos os pais que escolheram o amor e não o medo se sentem muito mais realizados e melhores para os seus filhos do que antes.

Lendo as histórias é de emocionar o quão melhor a vida de uma criança pode ficar se seus pais apenas a aceitarem como ela é e lutarem para que ela adquira a sua identidade real. Então, a dica que fica para os pais é: entre entender e aceitar, prefira primeiro a segunda opção, pois com certeza você irá entender ao ver como seu filho ou filha é muito mais feliz do que antes.

Jan Morris, escritora que passou pelo processo de mudança de gênero

Jan Morris, escritora que passou pelo processo de mudança de gênero

Após a aceitação da família, o próximo passo (que nem sempre pode ser realizado por todos, infelizmente) é o adiamento da puberdade, feito por meio de remédios que controlam os níveis de testosterona e demais células responsáveis pelo desenvolvimento corporal. Com isso, o jovem terá mais tempo tanto para conseguir se organizar com a nova identidade como para reunir dinheiro para se submeter às cirurgias de modificação, que são caras, de forma a conseguir parecer o máximo possível com o seu gênero natural.

Mas também é importante respeitar a decisão de quem não sente a necessidade de fazer cirurgia. É como no meu mundo ideal: cada um cuida da sua vida e só se mete nos problemas dos outros quando convidado e ainda assim só para ajudar.

E o último obstáculo que torna a vida dos transgêneros um inferno, é o misto de preconceito com violência: além da vida ser mais difícil por causa do imenso descaso que a maioria da população faz sobre essa parcela do povo, vários transsexuais já sofreram por elas e um grande número de pessoas é morta apenas por querer ser do sexo oposto ao de nascença. E quase sempre a morte envolve objetos para tornar a morte da pessoa o mais vergonhoso e degradante possível. Eufemismo chamar de crueldade.

Kimberly Reed, transsexual e produtora do filme Prodigal Sons (Filhos Pródigos)

Kimberly Reed, transsexual e produtora do filme Prodigal Sons (Filhos Pródigos)

Esse é o fator que, curiosamente, mais me irrita e mais me dá esperança: tornar a vida dos transgêneros melhor só depende das pessoas. Eles são humanos como quaisquer outros, mas por convenção foram “rotulados” de forma diferente e, assim, pagam um preço caro apenas pela coragem de ser como é.  Muitos não conseguem terminar a escola pois são expulsos pelos pais ao assumirem sua transexualidade e, sem a educação concluída, ou vivem de empregos de baixo salário (quando conseguem ser empregados) ou se prostituem para conseguir sobreviver . E isso não pode continuar assim

É inadmissível que alguém tenha que carregar um fardo tão grande por uma característica inata e imutável. Precisamos ser melhores do que somos, aceitar e celebrar quem pensa diferente em alguns aspectos. Porque, nos principais, àqueles que são do bem formam uma só pessoa e um só coração.

Filmes, livros e matérias mencionadas no livro:

Depoimento de Kim Reed (em inglês) 

Prodigal Sons – Kim Reed

Normal – Amy Bloom

Jan Morris

The Sissy Boy Syndrome and the development of sexuality – Richard Green

The Transgender Child –  Rachel Pepper  and Stephanie Brill

Living a Transgender Childhood